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As 9 rotas essenciais de cicloturismo no Brasil

  • Postado em 20/11/2019

Rotas de cicloturismo no Brasil – Aquele velho clichê casa bem com esse artigo: o Brasil é um país de dimensões continentais. É o quinto maior do mundo, pra ser mais exato.

E é de se imaginar que num país tão grande como o nosso há oportunidades infinitas para cicloviajantes.

Hoje separei 9 rotas de cicloturismo no Brasil que você precisa conhecer em algum momento da sua vida de cicloviajante. Claro, há muitas outras, mas me encarreguei de te mostrar algumas que já vão te fazer planejar viagens de bike pelos próximos anos.

No final da lista ainda inclui mais algumas rotas que valem ser citadas.

Vamos lá!

1- A mais tradicional rota de romeiros do país

Não tem como não colocar o tradicionalíssimo Caminho da Fé abrindo nossa lista de roteiros de cicloturismo. O Caminho da Fé é a maior rota de peregrinação do Brasil, sendo percorrida não só por cicloturistas como também por andarilhos, grupos de cavaleiros e charreteiros, entre outros.

O Caminho da Fé tem ganhado popularidade entre ciclistas todos os anos e chegou à marca de 7 mil cicloturistas no ano de 2017.

Há vários inícios possíveis para a rota – chamados de Ramais pela associação que cuida do Caminho da Fé – mas é na cidade de Águas da Prata que todos se encontram para ir até a cidade de Aparecida, capital do catolicismo no Brasil.

Há uma possibilidade de alterar sutilmente o caminho na cidade de Campos do Jordão, indo dalí para Pindamonhangaba ou Garatinguetá, antes de rumar para Aparecida.

Para cicloturistas, os principais atrativos são a incrível estrutura de pousadas, alimentação, apoio das paróquias e prefeituras e de demarcação das estradas com as famosas setas amarelas.

Outras informações:

  • Distância: 318km de Águas da Prata, passando por Pinda, até Aparecida. Se você sair de Sertaozinho – atualmente o ramal mais longo – percorrerá 147km a mais, totalizando 571km passando por Pinda.
  • Tipo de rota: Linear (começa num ponto e termina em outro)
  • SiteCaminhoDaFe.com.br

2- O vale que lembra outro continente

E não só no nome, no visual também.

Em estradinhas vicinais que cortam as belas cidades da região do Vale Europeu, em Santa Catarina, encontra-se um dos roteiros de cicloturismo mais populares do Brasil.

A principal diferença para o Caminho da Fé – e para outros caminhos aqui da lista também – é o fato do caminho ser circular: o pedal começa e termina na cidade de Timbó-SC.

Eu chamaria atenção para 3 outros pontos interessantes do circuito de cicloturismo do Vale Europeu:

1- A estrutura impecável de demarcação da rota para ciclistas, seccionamento do roteiro e apoio. Com placas claras e bem distribuidas, sugestão de sessões a serem percorridas muito equilibradas – principalmente para iniciantes – e distribuição de mapas e materiais, o Circuito do Vale Europeu possui um dos melhores apoios em termos de rotas para cicloturistas no Brasil (se não o melhor).

2- Além da beleza natural, é notória a segurança e tranquilidade que os cicloturistas encontram no Vale Europeu

3- A região possui algumas das subidas mais difíceis do Brasil. Santa Catarina é já o estado com mais subidas difíceis as cidades de Timbó, Pomerode,  Ascurra, Apiúna, Rodeio e Rio dos Cedros – todas no Vale – possuem representantes na lista. Se quiser saber mais entre no Guia das 100 Subidas Mais Difíceis do Brasil

Outras informações:

3- Onde o ouro era levado no lombo da mula

Se o Caminho da Fé é a rota de peregrinação mais tradicional do país e o Circuito do Vale Europeu um dos mais bem organizados, nossa terceira rota de cicloturismo brasileiro se destaca por outra questão: sua história.

Cruzando 177 municípios, boa parte em Minas Gerais, a Estrada Real é composta por quatro rotas que podem ser percorridos pelo cicloturista, também chamados de “Caminhos”.

Abaixo cada um deles:

I- O Caminho Velho

Como o próprio nome indica, foi o primeiro trecho aberto entre o litoral e as zonas de extração do ouro, em Minas Gerais. São 710km de extensão que ligam a cidade litorânea de Paraty a Ouro Preto. Nessa rota o cicloturista passará por inúmeras cidades históricas e turísticas, como Tiradentes, São João del Rei, Passa Quatro e São Lourenço.

Vale reforçar que ele é muito mais antigo que a rota em questão, já que o trajeto onde o Caminho Velho foi estabelecido era rota de indígenas entre a costa e o interior.

A coroa portuguesa encontrou muitos problemas com o transporte dos minérios que saiam de Paraty, como ataques piratas. Por conta disso, foi criado uma versão diferente da Estrada, que chega no Rio de Janeiro:

II- O Caminho Novo

Não deixe o nome te enganar. O trajeto é chamado de Novo porque veio depois do “Velho”, mas é também centenário – foi concluído em 1707.

No roteiro que percorre o Caminho Novo da Estrada Real, o cicloturista passa por algumas das maiores cidades da rota, como Barbacena, Juíz de Fora e a própria cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).

É por esse caminho também que o ciclista cruza a serra no Rio de Janeiro, na cidade de Petrópolis.

III- O Caminho dos Diamantes

A rota denominada de Caminho dos Diamantes é o trecho da Estrada Real que liga Ouro Preto à cidade de Diamantina, mais ao norte.

Ela adicionará 350 quilômetros ao seu roteiro de cicloturismo, mas também é nela que você conhecerá algumas das cidades históricas mais belas do Brasil. Serro, Milho Verde e a própria Diamantina são algumas delas.

Para o cicloturista que não tem pressa, vale lembrar que nesse trecho você passará pela Serra do Cipó. Se você não tiver que economizar tempo, estará num paraiso para trekking e mountain bike, explorando trilhas, cachoeiras e montanhas da região. A foto de destaque, da Cachoeira do Tabuleiro, é mostra disso

IV- O Caminho de Sabarabuçu

Uma “perna” do caminho tradicional dos Diamantes, que vai a Ouro Preto. O principal motivo turístico que faria um cicloviajante percorrer os 160km do trecho é, provavelmente, a Serra da Piedade (que por sinal é uma das subidas mais difíceis do Brasil também).

Outras informações:

  • Distância: Caminho Velho possui aproximadamente 700km, o Novo 500km, dos Diamentes 400km, Sabarabuçu, 160km
  • Tipo de rota: Linear
  • Siteinstitutoestradareal.com.br

4- Uma viagem por araucárias

Voltamos para Santa Catarina para mais uma bela rota de cicloturismo: o Circuito das Araucárias. O percurso passa por 4 cidades da região – Campo Alegre, Corupá, Rio Negrinho e São Bento do Sul – e é exemplo de criação de rota cicloturística para atrair viajantes para a cidade.

O roteiro pode ser concluido com esforço em apenas 3 dias, porém seria um crime visitar uma região tão bela tão rapidamente. A não ser que você viva na região, o percurso merece pelo menos uns 7 dias para ser percorrido. O site do Circuito das Araucárias já deixa a sugestão: 8.

Além das pacatas e seguras estradas afastadas da região, o cicloturista encontrará uma série de atrativos naturais, como Campos do Quiriri e o Morro da Igreja.

Com apoio e preparação para receber o cicloturista, o Circuito das Araucárias é uma ótima opção de cicloviagem no Brasil para iniciantes.

Outras informações:

5- Santiago aqui no Brasil

O Caminho do Sol, nosso quinto roteiro de cicloturismo do Brasil na lista, tem talvez 3 particularidades que mais chamam atenção.

Em primeiro lugar, foi idealizado a partir de uma iniciatia privada que, com sucesso, instalou uma rota de cicloturismo de qualidade no interior de São Paulo. O Caminho do Sol passa por propriedades particulares e daí a necessidade de comunicar a organização da rota sobre sua partida.

A segunda observação é o ponto de chegada. O “bicigrino”, como é chamado o cicloturista pelos organizadores do Caminho, sai de Santana do Parnaíba com destino à Casa de Santiago, em Águas de São Pedro – quase uma reedição do tradicional Camino espanhol.

Por fim, o nome – Caminho do Sol – faz juz ao que você definitivamente encontrará na região: sol. Eu morei em Capivari, cidade presente nessa rota de cicloturismo, e o lugar é quente!

O roteiro pode ser concluido pelo cicloturista em 5, 4 ou 3 dias nas opções pré-determinadas pelos organizadores do Caminho do Sol, nas chamadas Rota Vermelha (3 dias), Rota Verde (4 dias), Rota Azul (4 dias) e Rota Laranja (5 dias).

 

Por se tratar também de um percurso bem estruturado, direcionado e predominatemente plano (especialmente em comparação com os outros que vimos até agora) é uma rota de cicloturismo ideal para iniciantes também.

Outras informações:

6- Cicloviajando nos passos da poetisa

O nome da rota de cicloturismo de número 6 foi dado em homenagem a uma poetisa. Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida pelo seu pseudônimo Cora Coralina, é a personalidade mais famosa da cidade de chegada do Caminho de Cora Coralina, a pequena Cidade de Goiás.

Uma iniciativa da agência de turismo estadual do Goiás, em parceria com o ICMBIO e secretarias estaduais, o Caminho de Cora Coralina leva o cicloturista a cruzar o cerrado goiano. Ele foi inaugurado esse ano e os relatos que têm chegado contam sobre uma rota de cicloturismo bem sinalizada, bela e com boa estrutura.

O caminho possui vários trechos de trilhas e estradas duras e talvez seja uma excelente oportunidade para ser percorrido com uma configuração de bikepacking.

Outro excelente texto é o do blog Mala de Aventuras. A autora não foi de bike, mas tem muita informação do que encontrar pelo caminho, pontos turísticos, dicas de como chegar e muito mais.

Outras informações:

7- Até um dos pontos mais altos do Brasil

Voltamos para Minas Gerais para um dos caminhos mais tradicionais de cicloturismo do Brasil: o Caminho da Luz. E não deixe sua distância te enganar: os 170km entre Tombos e Alto Caparaó é uma morraria do cão.

Isso tem uma explicação: o Caminho da Luz leva o cicloturista até as cercanias do Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais elevado do país, com 2892 metros de altitude em relação ao nível do mar.

Todo sinalizado e com estradas bastante pacatas, o roteiro é uma boa pedida para quem está iniciando no cicloturismo, mas não para todos os tipos de condicionamento físico. A altimetria vai explicar o porquê rs.

O ideal é percorrer o caminho em pelo menos 4 dias. No entanto, se você gosta de trekking também, guarde mais alguns dias para subir o Pico da Bandeira à pé, ou mesmo realizar a travessia do Pico, que liga Minas ao Espírito santo.

Outras informações:

8- Entre montanhas e cascatas

O Circuito das Cascatas e Montanhas é outro belo roteiro de cicloturismo no sul do Brasil. Saindo da cidade de Rolante no Rio Grande do Sul, o cicloturista percorrerá inesquecíveis 123km pelas também gaúchas cidades de Riozinho e São Francisco de Paula.

E o porquê do nome? Pois no caminho você realmente encontrará cascatas e cachoeiras maravilhosas, como a das Andorinhas e a do Chuvisqueiro:

A rota de cicloturismo está em constante crescimento e mais e mais relatos de têm surgido. Belezas naturais não faltam para justificar uma viagem por lá.

Outras informações:

9- Transitando no Ibitipoca

Mais um grande sucesso de roteiro de cicloturismo criado a partir da iniciativa de uma agência de turismo estadual. Localizada no sul de Minas Gerais, a Volta das Transições circula a belíssima região do Ibitipoca.

O nome vem da variedade de relevos e vegetação que o cicloturista encontra na rota. São campos de altitude, porções de mata atlântica, diferentes climas e relevos num pedal de quase 400 quilômetros.

 

A Volta das Transições também tem uma particularidade. Ela tem sinalização excelente. No entanto, a comunidade local ainda não absorveu a ideia como em outras rotas já mostradas anteriormente nesse artigo. Sendo assim, ela pode ser uma excelente oportunidade para quem quer experimentar um caminho de cicloviagem mais “raiz” pela primeira vez, acampando e cozinhando pela estrada e experimentando um lado mais aventureiro do cicloturismo.

A organização divide o caminho em 7 etapas diferentes, mas evidente que essa não é a regra. Existe um excelente relato no site da Bikemagazine. Vale conferir.

Outras informações:

Outras 7 rotas de cicloturismo

Abaixo listei outras rotas oficiais de cicloturismo. Atenção: eu não inclui lugares populares de cicloturismo, como Serra da Canastra ou Chapada Diamantina, apenas rotas mesmo, que ligam o ponto A ao B (ou o A ao A no caso das rotas circulares):

  • Lagamar – Litoral de São Paulo e Paraná;
  • Circuito Costa Verde e Mar – Santa Catarina;
  • Estrada da Petrobrás – São Paulo;
  • Caminho do Sal – São Paulo;
  • Vale dos Vinhedos – Rio Grande do Sul;
  • Circuito Acolhida da Colônia – Santa Catarina;
  • Circuito Quatro Passos da Serra Geral – Rio Grande do Sul e Santa Catarina;

Existem mais, mas a ideia era contemplar algumas das mais importantes do país. Percorreu alguma delas ou outra que não listei? Comente abaixo.

Se você se animou em pedalar alguma dessas rotas, certamente vai precisar aprender um pouco mais sobre cicloturismo.

Te convido, então a conhecer meu curso de Cicloturismo, o Cicloturismo de A a Z, onde ensino tudo que aprendi nesses vários anos pedalando por vários países do mundo:

Fonte: https://www.aventrilha.com.br/rotas-cicloturismo-brasil/


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