O campeão brasileiro, 2º colocado no ranking mundial, volta às provas internacionais em Lenzerheide, na Suíça, na retomada do calendário da Copa do Mundo de MTB.

Henrique Avancini (Cannondale Factory Racing) tem aproveitado o período sem competições por causa da pandemia coronavírus para treinar e refazer seus objetivos para 2020. O campeão brasileiro, 2º colocado no ranking mundial, volta às provas internacionais em Lenzerheide, na Suíça, na retomada do calendário da Copa do Mundo de MTB no início de setembro. Em entrevista, Avancini diz que, depois das etapas restantes da Copa do Mundo, está em seus planos disputar em outubro dois Mundiais, o de XCO, no início do mês em Leogang, na Áustria, e o de Maratona, em Sakarya, na Turquia, dias 24 e 25 de outubro.

Fumic e Avancini na largada da etapa final da Cape Epic de 2019 Foto: Shaun Roy

“Ainda estou vendo a logística para poder estar nos dois Mundiais porque também pretendo estar no Campeonato Brasileiro, dia 31 de outubro, em Mairiporã (SP)”, adianta o brasileiro, que já venceu o título nacional 14 vezes.

Avancini vestiu a camisa arco-íris de campeão mundial de maratona em 2018 e, em 2019, não defendeu o título mundial, mas venceu o título nacional. “Caso dê certo de ir ao Mundial na Turquia quero chegar bem preparado, já que já fui campeão mundial de maratona”, avisa.

Avancini começou 2020 mostrando boa forma em fevereiro ao vencer a Copa Catalana Internacional BTT, a Super Cup Massi de Banyoles, na Espanha, uma das corridas mais clássicas do mountain bike mundial. Antes, junto com o parceiro Manuel Fumic, venceu duas das quatro etapas da Tankwa Trek, na África do Sul, importante preparação para a ultramaratona Cape Epic.

Mas veio a pandemia e a frustração pelo cancelamento em cima da hora da Cape Epic. O brasileiro voltou para casa, em Petrópolis (RJ) e, nas primeiras semanas de quarentena, também acompanhou o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, um dos seus principais objetivos do ano.

Com o calendário em suspenso, resolveu buscar “qualidade de preparação”. “Tenho treinado bem, com a redução do tempo que gastava em viagens, comecei a explorar áreas que às vezes, por falta de tempo, ficavam de lado. Fiz treino indoor no início da quarentena e depois passei a treinar em pistas particulares. Nas últimas três semanas, com a situação bem controlada na cidade, cujas medidas foram bem guiadas, há uma razoável normalidade e tenho treinado normalmente na estrada”, completa.

Nos últimos dias, Avancini tem acompanhado a recuperação de seu parceiro de Cape Epic e Brasil Ride, o alemão Fumic, que se acidentou em um treino, teve fraturas, passou por cirurgia e segue hospitalizado. “Espero que o Fumic ainda consiga competir esse ano. Ele disse que esta seria sua última temporada antes de se aposentar profissionalmente, e foram tantas frustrações. Até o Mundial de XCO, que seria na Alemanha, perto de onde ele vive, mudou de lugar.”

No retorno da Copa do Mundo de MTB estavam previstas cinco etapas, mas uma delas, a de Val di Sole, na Itália, foi cancelada. A programação começa em Lenzerheide, na Suíça, dias 5 e 6 de setembro, depois será Les Gets, na França, dias 19 e 20 de setembro, e Nove Mesto, na República Tcheca, que terá rodada dupla, com um programa intenso, entre 29 de setembro e 4 de outubro. “Na terça-feira e quinta-feira vamos disputar o short track e o XCO, e na sexta-feira e domingo novamente, com short track e XCO”, conta.

Na semana seguinte, entre 7 e 11 de outubro, será o Campeonato Mundial de MTB, em Leogang, na Áustria, previsto anteriormente para ser realizado em Albstadt, na Alemanha. “Fiquei impressionado com a capacidade da UCI (União Ciclística Internacional) de manter o calendário vivo, eles assumiram riscos, encontraram novos organizadores. Um Mundial é de uma complexidade enorme e com certeza é a prova mais importante do ano no cross country.”

Desde o início da temporada, Avancini está competindo com uma Cannondale Scalpel que ajudou no desenvolvimento desde 2017. “Vi o protótipo, testei antes do lançamento, que foi feito no Brasil”, completa. “Foi um momento importante.”

Atualmente, países da Europa estão incentivando o uso das bicicletas e o brasileiro diz que a ampliação da presença das bikes nas cidades pode ser vista como um “efeito positivo da pandemia”. “É hora de adotar novos hábitos e um deles é a bicicleta, é bom para a comunidade, para o mercado, para o futuro. Em um período tão negativo, é bom ver muita gente na alegria de usar uma bicicleta.”

Depois de 2020, os pensamentos voltarão ao Japão, com o Brasil praticamente garantido com duas vagas na prova de cross country nos Jogos Olímpicos. “Tóquio é meu principal objetivo.”

Fonte: Bike Magazine

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