Para os ciclistas que competem, a luz no fim do túnel parece um pouco mais distante com o recente anúncio do adiamento ou cancelamento de algumas importantes provas de MTB e ciclismo ao redor do país, além da divulgação do cancelamento do ranking nacional pela CBC, publicado nesta quarta feira, 15/07/2020.

Embora as atividades já estejam caminhando para uma volta à normalidade em diversas regiões do planeta, tudo indica que ainda teremos uma espera de muitos meses até o retorno das competições e outros eventos esportivos no Brasil. Enquanto isso, atletas profissionais e amadores precisam adaptar suas rotinas de treino e periodização, encontrar outros desafios e até mesmo reformular a própria relação com o esporte e a bicicleta.

Não são poucos os atletas que estão, neste momento, em uma fase perda da motivação e questionamento da razão de prosseguir treinando com afinco. Neste texto, falaremos sobre algumas razões para não interromper ou não abandonar a rotina de treinos.

Treino indoor: período de base prolongado

Treinamento e seus benefícios são cumulativos

A evolução da performance em esportes de resistência, como o ciclismo e suas modalidades, é altamente pautada em tempo acumulado de treino. Assim como estudar ou brincar com os filhos, treinar nunca pode ser considerado um tempo desperdiçado. Mesmo que o condicionamento flutue, e mesmo que você fique afastado por um período, todo o tempo acumulado sobre o selim é benéfico e contribui para seu desenvolvimento no esporte.

Todas as horas de treino que puder fazer durante a pandemia terão seu valor no futuro, ajudando a agregar uma grande base aeróbia e outras contribuições. Isso também vale para atividades complementares, como exercícios de fortalecimento, corridas, caminhadas, entre outros.

O treinamento pode ser modificado, adaptado e adequado ao momento

Não há muito sentido em permanecer treinando como se as provas estivessem daqui a duas ou três semanas. O atleta pode ter picos de forma desnecessários e mal controlados, o que pode levar a um platô insolúvel de performance, lesões ou até mesmo a um burnout e perda total da motivação.

O treinamento, portanto, não apenas pode ser repensado, mas deve ser repensado. Muitos atletas e treinadores estão encarando o momento como um período de base prolongado e de duração indefinida. Isso envolve todos os objetivos, liberdades e algumas das demandas típicas de uma fase de base, talvez com uma maior preocupação em trabalhos ocasionais de manutenção das capacidades de alta intensidade.

É possível elaborar um bom planejamento independente de provas

Algo que desenvolvo junto com os alunos de treinamento não competitivos com quem trabalho é a possibilidade de criar toda uma estrutura e um planejamento de treinamento, com bastante qualidade, mesmo sem provas alvo, ou com apenas uma ou outro evento em todo o ano. E a quantidade de praticantes com esse perfil é surpreendentemente alto!

O segredo é encontrar outras maneiras de conduzir o treinamento, criando metas para o atleta perseguir e se avaliar com o passar dos meses. O que nos leva ao próximo tópico…

Ter metas e manter alguma estrutura no treinamento é fundamental

Há inúmeras maneiras de manter a rotina de treino com algum significado e propósito. Há aqueles que estão buscando melhores marcas pessoais em segmentos do Strava, seja no Zwift ou nas estradas e trilhas; há outros que estão focados em alcançar e manter certo volume de horas de treino semanais, algo que seria muito difícil com muitas provas. Metas de quilometragem mês a mês, alcançar marcas de potência em diferentes durações, bater recordes pessoais de distância ou ascensão em um único treino, Everestings, desafios e provas virtuais, etc. Há muitas maneiras de ter algo a perseguir para manter a motivação.

Além disso, manter alguns treinos estruturados, com exercícios específicos e pré-elaborados são muito importantes não apenas para a boa manutenção ou desenvolvimento das capacidades, mas também para evitar o “rodar-por-aí”. Sair para treinar sem saber o que fazer pode ser muito, muito ruim para a cabeça do atleta. Mas como veremos no tópico adiante, também pode, por outro lado, ser a melhor coisa a fazer.

Experimente novas abordagens, novos percursos ou mesmo novas modalidades

Este é um dos melhores momentos que já vimos para experimentar algumas mudanças na rotina de treinos. Não apenas modificar o treinamento, mas também deixar de lado a rigidez do compromisso sério com a performance, necessário aos profissionais e muito comum entre amadores.

Exatamente como naquele período de fim de temporada, antes de iniciar a base, aproveite o momento para fazer com a bicicleta tudo aquilo que a rotina empenhada de treinos ao longo do ano não permite. Sair a esmo em uma aventura por estradas ou trilhas locais, pedalar sem se preocupar com números e dados, experimentar tirar mais dias de descanso durante a semana e observar como o corpo responde, experimentar o ciclismo gravel ou bikepacking etc. Enfim, relembrar que a bicicleta traz consigo um fantástico universo de coisas que estão muito além de apenas treinar forte e competir.

Mas não se esqueça de voltar aos trilhos: em algum momento, estaremos novamente alinhados e prontos para bater guidão!

Fonte: Bike Magazine

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