Em franca ascendência, o ciclismo – profissional, amador, ou simplesmente como atividade de lazer – tem vindo a registar um forte crescimento. Basta observar o crescente número de ciclovias que as cidades têm ganho nos últimos anos para perceber o aumento da atenção a este tipo de atividade desportiva.

O conceito de cidade livre de carros tem feito do ciclismo um desporto com cada vez mais adeptos. Há diversos tipos de ciclismo: provas de estrada, provas de pista, ciclismo de montanha e BMX (todo o terreno). Sentir a natureza, aliviar o stress, admirar belas paisagens, percorrer trilhos radicais, sentir a adrenalina e o vento na cara. Existem muitas razões para pegar na bicicleta e dedicar uma pequena parte do dia a dar ao pedal.

Pedalar é uma atividade aeróbica que tem fortes benefícios para a saúde cardiovascular e para a boa forma física e mental, mas como todas as restantes atividades físicas é vulnerável a lesões de caráter agudo, traumáticas ou de sobrecarga.

As lesões agudas resultam normalmente de episódios traumáticos súbitos e o seu diagnóstico habitualmente é imediato. Falamos de, por exemplo, contusões na cabeça, fraturas da clavícula e punho (entre as mais frequentes nos praticantes de ciclismo), fraturas dos ossos da face, traumatismos cranianos, lacerações cutâneas, referindo apenas alguns exemplos de lesões traumáticas que resultam, muitas vezes, de quedas ou choque.

Já as lesões de sobrecarga, mais frequentes que as anteriores, evoluem ao longo do tempo e, por isso, nem sempre o seu diagnóstico é fácil, o que por sua vez também não permite a instituição célere de uma resposta terapêutica efetiva.

As lesões de sobrecarga resultam fundamentalmente de microtraumatismos de repetição sobre os tendões e músculos, ossos e articulações. Por exemplo, dor lombar, epicondilite, tendinose do rotuliano, lesão do tendão de Aquiles e dos músculos isquiotibiais, fraturas de stress do pé e do perónio, entre outras.

A dor lombar é também muito comum e uma queixa frequente no ciclista e tem muito a ver com a pressão intra-discal enquanto se pedala ou com postura inadequada na bicicleta ou ainda com a força muscular (quando os músculos estabilizadores da bacia, pélvis e abdómen não são suficientemente fortes, há um aumento da tensão na parte inferior das costas). Os joelhos também sofrem com o ciclismo, o que geralmente ocorre devido ao esforço repetitivo. Colocar o selim da bicicleta muito baixo pode originar uma pressão excessiva na cartilagem da patela e também esticar (e sobrecarregar) os músculos posteriores da coxa, os isquiotibiais. Dores laterais ou medianas podem ser causadas por se pedalar com os joelhos muito virados para dentro ou para fora.

No ciclismo, a escolha do selim é muito importante uma vez que pode permanecer sentado nesta estrutura durante longos períodos de tempo enquanto pedala. As lesões do períneo – ou músculos do pavimento pélvico – estão relacionadas com o tempo de exposição, o tipo de selim e a postura ao pedalar.

Prevenir as lesões do ciclismo

No que respeita às lesões agudas, a regra que importa para a prevenção deste tipo de lesão tem a ver essencialmente com uma medida de proteção que todas as pessoas devem seguir quer se trate de um passeio de lazer ou de uma prova de competição: uso de capacete (estima-se que 90% das mortes decorrentes de traumatismos cranianos ocorrem em ciclistas que não utilizam capacete e que o seu uso baixa o risco de lesão cerebral em 80% e de lesões da face em 70%).

Para prevenção das lesões de sobrecarga, há diversos aspetos a ter em atenção quando se trata de as prevenir: desde a correta adaptação do ciclista à bicicleta – correto posicionamento no selim, nos pedais, no guiador – ao vestuário adequado, sem esquecer o mandamento essencial a todos os que praticam qualquer tipo de atividade física, ou seja, um bom e adequado aquecimento e uma sessão de alongamentos aquando do termo da prova ou do passeio.

Pedale à vontade, mas além de uma boa bicicleta e um bom, completo e adequado equipamento não se esqueça de usar o bom senso, conhecer os limites do seu corpo e respeitar os períodos de repouso que o organismo necessita para a recuperação tecidular. Se ainda assim aparecer algum sinal de alarme que possa ser indicativo de algum tipo de lesão suspenda de imediato a atividade e procure aconselhamento médico.

Fonte: Revista Bicicleta

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